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Exposição Bíblica-Teológica em Filipenses – Parte 1 (Fl 1.1-11)

EXPOSIÇÃO BÍBLICA-TEOLÓGICA EM FILIPENSES

“Se o Espírito de Deus vive em nós, então que governe todas as nossas ações” ‒ João Calvino.

Tema: Uma igreja alegre e unida  

Texto: Filipenses 1: 1-11

 

INTRODUÇÃO GERAL

As pessoas na atualidade, mais do que nunca, estão buscando alegria e felicidade de maneira desenfreada. Nunca se viu tantos livros e mais livros que prometem passos para felicidade (inclusive “teológicos”) – mas, em contra partida –  conforme constam as pesquisas na área da neurologia e psiquiatria, um número assustador de pessoas estão, cada dia mais, mergulhando na depressão, na ansiedade e, consequentemente, vivendo cada mais vez tristes.

Todavia, nos deparamos com Paulo que, ao escrever a carta aos Filipenses,  estava preso (veremos isso mais adiante), mas escreve uma carta com alegria, mesmo estando em algemas, o que seria, nos dias de hoje, um disparate dado ao tipo de felicidade que a maioria de nós almejamos. Tal como diz Seneca:

            É desejo de todo homem … viver feliz, mas quando se trata de ver claramente o que torna a vida feliz, eles tateiam em busca da luz; de fato, uma medida da dificuldade de atingir a vida feliz é que, quanto maior a energia que um homem gasta empenhando-se por ela, mais dela se afasta caso tenha errado em algum ponto do caminho... (“Sobre a vida feliz” – Citado por Zygmunt Bauman)[1]

A carta Filipenses, não só por isso, mas pelo seu conteúdo excepcional, é, indubitavelmente, uma das cartas mais importantes que temos na literatura neotestamentária, a mesma possui implicações e aplicações não apenas teológicas, mas à questões práticas da vida cristã. Vemos Paulo fazendo uma autobiografia espiritual significativa de si mesmo (3:4-7) e descrevendo a majestosa passagem cristológica da humilhação de Jesus, que, como Deus, não usurpou ser como Deus, mas esvaziou-se de si tornando-se homem (2:5-11). No entanto, como já dito, a carta possui aplicações práticas para incentivar a cristandade a viver uma vida alegre em Cristo mesmo em meio às vicissitudes. O pastor e teólogo americano John MCArthur chama esta carta de  “Epístola da Alegria”. Todavia, tal como McArthur pergunta – “como Paulo encontrou alegria na prisão? Ele não o fez.”– diz McArthur – “Ele adquiriu alegria em Cristo na prisão com ele; portanto, a alegria era uma companheira sempre presente.”[2]

Vamos conhecer um pouco mais dessa linda carta de suma importância para a igreja contemporânea, e ao estudarmos, vamos nos dar conta da tão grande antítese que que separa a igreja primitiva da igreja hodierna.

  1. Paulo em Filipos

Para conhecermos o contexto em que Paulo conheceu os crentes de Filipos é imprescindível que voltemos ao livro de Atos, mais precisamente no capítulo 16, onde o Apóstolo teve, pela primeira vez, contato com os filipenses.

Paulo chegou em Filipos juntamente com Silas, Timóteo (seu amado filho na fé) e Lucas (At 16.1-3,10,11; 1Ts 2.2), por volta do ano 49, durante a Segunda Viagem Missionária.  Paulo desejava ir para a Bitínia, porém, como a Bíblia nos conta, “ o Espírito de Jesus não o permitiu” (At 16.7). Depois ele teve a visão “na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa a Macedônia, e ajuda-nos” (At 16.9). Ele concluiu corretamente que Deus o havia chamado para aquela região (At 16.10).

Sobre isso, na opinião de Hernandes Dias Lopes, “A história das civilizações ocidentais foi  decisivamente influenciada por  essa  escolha  divina. Até hoje, algumas  nações  orientais estão  imersas  em  trevas  enquanto  o  Ocidente  foi  bafejado por essa mensagem bendita desde priscas eras.”[3]

1. Antecedentes históricos

Filipos era uma antiga cidade grega conquistada por Felipe II, filho de Alexandre o Grande em 358 a.C. A cidade ganhou esse nome em homenagem ao seu conquistador. Em 108 a.C. Filipos passou a ser de domínios dos romanos.

As províncias eram divididas, segundo Ralph Martin[4], em quatro regiões, cada uma com sua “primeira cidade” – no caso, a primeira cidade da Macedonia, ou seja, a mais importante seria Filipos.

Esse status de ser a cidade mais importante deveu-se às guerras de Filipos, que deu a Otaviano Augustus a proeminência de ser primeiro imperador de Roma, após a derrota de Brutus e Cassius. Segundo Strabos, um importante geógrafo da antiguidade, “antigamente Filipos era chamada de Crenides que era um vilarejo, mas cresceu depois da derrota de Brutus e Cassius”.[5]Dado a sua tamanha importância ficou conhecida como “a pequena Roma”

2. Motivo da Carta

Dos principais motivos da Carta aos Filipenses está o agradecimento pela oferta de amor enviada na cadeia, onde Paulo estava, por Epafrodito da parte dos Filipenses. O mesmo foi enviado por um tempo para cuidar de Paulo, além da incumbência de entregar a oferta a Paulo. No entanto, Epafrodito adoeceu mortalmente, e, como o apóstolo o tinha em grande estima, sofreu de maneira dupla, por estar preso e pela enfermidade de Epafrodito. Mas Deus se compadeceu de Epafrodito e de Paulo permitindo que o doente ficasse curado. Além da profunda afeição pelos Filipenses, Paulo quer reafirmar o compromisso mútuo que eles compartilham com o Evangelho, como também a oração que o mesmo oferece em favor deles.[6]

Passamos, então, para exposição da carta. Para melhor assimilação vamos dividir em quatro partes:

3. AOS AGRACIADOS

 Remetente e destinatários

            “Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos, graça e paz a vós outros, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.”

Filipenses 1:1-2 ARA

  1. Servo
  2. Santos
  3. Bispos
  4. Diáconos

4. O CERNE DA IGREJA

            “Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós, fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações, pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completa-la até ao Dia de Cristo Jesus.”

Filipenses 1:3-6 ARA

A palavra usado por Paulo quando se refere à “cooperação” que, no original grego, é a palavra Koinonia que significa “ter algo em comum”, “partilhar do mesmo”, que na verdade é o próprio cerne da igreja. A palavra também pode ser usada no lugar de “Eklesia”. Na Grécia antiga, por ex., os assuntos das polis; isto é, das cidades-estado, eram discutidos na Ágora que era divida em duas partes: a Eklesia é o Oikos.  

            Na Ekleisia, era tratado apenas assunto relacionados ao polis, ou seja, assunto de interesse não participar, mas comunal. No Oikos, eram tratado apenas assuntos relacionados a si mesmo, ou das coisas de casa. Assim, a ideia de Koinonia ou Eklesia, tem, em sua espinha dorsal, o outro e não a “eu”

A Trindade é um exemplo de koinonia, pois, diferente do que se discutiu o sabelismo, o arianismo entre outras heresias, o Deus de Jesus, só pode ser entendido na percepção de quem são as três pessoas triunitárias. Na Trindade ninguém é maior nem menor, mas todos: o Pai, Filho é o Espírito Santo dão honra um para o outro, pensam um no outro e não em si mesmos.[7] (Vide o nascimento da igreja em Atos 2, “todos tinham em comum”).

III. VIVENDO EM AMOR

            “E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção,” Filipenses 1:9 ARA

Há pelos menos quatro tipos de amor em grego, mas Paulo está se referindo ao amor ágape que se dá no lugar do outro, ao amor que ama sem ser amado, ao amor que não recebe apar dar, ao amor que morre em lugar do outro, amor que ama até os seus inimigos. Ao amor de Cristo, que morreu por nós ainda sendo nos inimigos de Deus.

Paulo está fazendo alusão do verdadeiro amor que é explanado entre os corintos:

            O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 1 Coríntios 13:4-7

5. VIVENDO EM VERDADE

             “para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.” Filipenses 1:10-11 ARA

É muito interessante que Paulo usa uma palavra àqueles que aprovam “as coisas excelentes” citando a: sinceridade.

A sinceridade é em Cristo, a base da sua ética. Cristo nos direciona a uma “religião” não aos padrões do judaísmo farisaico de sua época (pelo menos alguns deles) mas a religião na essência. O aparente em Cristo era descartado para que o interior sobressaísse. (Vide: mulher Samaritana)

Ao conversar com a mulher samaritana, mesmo sendo marginalizada por questões étnicas, políticas e religiosas, Jesus consegue encontrar sinceridade e verdade nela.

A palavra sincero remonta a Roma Antiga.

 

Considerações finais

A carta de Filipenses seria um convite para vivermos a alegria em Cristo, mesmo em meio às adversidades. A vivermos a unidade e santidade mesmo em meio à perda de valores no mundo pós-moderno que relativizou a verdade em detrimento da mentira. Que relativizou a moral em detrimento do falso amor e a depravação. Deus conta com seus servos que estão dispostos a servirem a qualquer preço, que estão dispostos a desbravejar os recônditos do mundo e implantar os valores do Reino de Cristo. Que a alegria e a unidade de Cristo esteja impregnadas em nossas vidas!

Servo de Cristo,

Josias Silva

 

[1] BAUMAN, Zygmunt. A Arte da Vida, p. 9 [É importante salientar que Seneca, embora a excelente sentença acima, era um estóico que acreditava que a alegria era alcançada pela ética filosófica, pensamento muito conhecido por Paulo diante do areópago em Atenas que os desafiou a uma nova doutrina e a servirem ao DEUS DESCONHECIDO em detrimento dos altares de seus falsos deuses. Vide: Atos 17:18-23].

[2] MACARTHUR, John. Filipenses: Cristo fonte de alegria e poder, p. 9

[3] LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas, p. 12

[4] MARTIN, Ralph. Introdução e Comentário de Filipenses, p. 12

[5] Ibidem, p. 17

[6] Conforme RICHARDS, Laurence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento, p. 437

[7] Em grego, idios quer dizer “o mesmo”. Ideotes, de onde veio o nosso termo “idiota”, é o sujeito que nada enxerga além dele mesmo, que julga tudo pela sua própria pequenez. (Citado por Olavo de Carvalho em seu livro: Tudo que você precisa saber para não ser um idiota, p. 280

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Josias Silva é evangelista e líder geral da UMAFÉ e casado com Juliana Bezko. Possui graduação em Teologia pela IETEB e História pela Universidade Nove de Julho – UNINOVE. É discente em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP e mestrando em Ciência da Religião na Pontífica Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Faz parte do Grupo de Estudos Protestantismo e Pentecostalismo – GEPP – PUC-SP. É escritor e articulista do blog Fé, Cultura e Pensamento. Lançou seu primeiro livro “Conversas sobre Deus, o mundo e o homem”.

 

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