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Simplesmente Deus

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Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. (Salmo 19.1)

Todas as palavras que procurarmos para descrever Deus são inócuas e inefáveis para expressá-lo. Quando Moisés estava diante de Deus e perguntou a Ele (Deus) em nome de que deus teria que falar, a resposta foi o Deus “Eu Sou”; mas como assim, “Eu Sou”? Sim, “Eu Sou” – ou seja, não há predicados que o expresse, se dissermos que Ele é o Deus de guerra, sim, Ele o é; se dissermos que Ele é o Deus do fogo, sim, Ele o é; da água, das plantas, dos animais, do homem e de todo o universo. Sim, Ele é tudo e além do tudo. Por isso sua resposta: “Eu Sou”. Ele se basta.

Entre os judeus, inclusive, era proibido dizer o verbo “ser” na primeira pessoa, por reverência ao Grande “Eu sou” – assim, não se diria “Eu sou Moisés”, mas “Eu Moisés”. O verbo “ser” para expressar o Deus Altíssimo era algo como que, a única forma,  antropomorficamente falando, que parece chegar próximo do “entendimento” humano de quem é Deus. Ele, simplesmente é. Logo, Deus não estaria ali ou aqui ou acolá, pois, Ele é! Deus foge da ideia de espaço e tempo. A palavra para se referir a Ele era um tetragrama יהוה (YHVH) e era impronunciável. Palavra esta que depois veio a ser chamada de Yhave ou na forma latinizada: Jeová.

A existência de Deus transcende a própria existência, pois “existir” é feitura dEle, o tempo, isto é, o “chronos” não o detém, o espaço não o detém, alguns teólogos dizem que Ele participa do tempo “kairos” que, em grego, seria (o tempo exato) ou (o tempo em sua plenitude), mas a definição teria problemas também, pois Deus não se pode definir, nem mensurar. Rubem Alves diz algo sobre isso:

“Deus é como o vento. Sentimos na pele quando ele passa, ouvimos a sua música nas folhas das árvores e o seu assobio nas gretas das portas. Mas não sabemos de onde vem e nem para onde vai. Na flauta o vento se transforma em melodia. Mas não é possível engarrafá-lo. Mas as religiões tentam engarrafá-lo em lugares fechados a que eles dão o nome de ‘casa de Deus’. Mas se Deus mora numa casa estará ele ausente do resto do mundo? Vento engarrafado não sopra... ”

Toda definição humana seria volátil, toda ideia que temos dEle, por mais teológica ou poética que seja, se desfaz no momento que a concebemos, e passa a não ser mais Ele, pois Deus não se esgota. Deus não se pode esquadrinhar aos ditames antropológicos, teo-filosóficos ou meta-linguísticos. Como Deus não é um objeto de conhecimento empírico, não temos qualquer conceito de fim último dEle. Em conseqüência, Deus não é objeto de conhecimento científico, e aquilo que chamamos teologia natural não passa de especulação, pode até contê-lo, mas não o exauri e nem o define. Se definisse não seria Deus. A razão o (re)conhece, mas não pode conhecê-lo em sua essência e infinitude. Por isso é inútil os ateus refutá-lo. Deus perpassa a razão.

Deus é o tudo e o nada, Deus é o Ser e o não-ser. Deus é. E “ser”, está para além de nosso intelecto. Ele é o que Parmênides disse: Ex nihilo nihil fit, ou seja, do nada fez tudo existir dizendo “Fiat lux” (haja luz!) e das trevas veio a existir luz. Ele é o Motor Imóvel de Aristóteles, que move todas as coisas sem ser movido por nada. Ele é o Logos de Heráclito, e consequentemente de João – o princípio primeiro – de todas as coisas. Antes que o existir viesse a existir Ele o era. Ele é o próprio (Ser)  – ser significa estar em tudo, em todos seres e em todos lugares.

Por isso David disse no Salmos 139:8-9 “Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar (…)” lá Ele também estará. Paul Tilich em sua quaestio Dei – (questão de Deus) – diz que a ideia de “profundezas” possui alguma uma “ideia” de Deus “O  nome da profundidade inexaurível e do  fundamento infinito de todo é Deus. A palavra Deus expressa essas profundezas. (…) Quem possui alguma ideia das profundezas possui alguma ideia de Deus

Isaías o vê nas alturas, nas constelações de maneira inteiramente divina outorgando-lhe o poder que lhe é devido como Criador: “Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar”. Isaías 40.26.

Agostinho, em uma belíssima oração, o chama de Deus Beleza, Deus Felicidade, Deus Sabedoria, Deus Bondade. Deixemos o próprio fale:

Deus Verdade, em quem, por quem e mediante quem é verdadeiro tudo o que é verdadeiro. Deus Sabedoria, em quem, por quem e mediante quem têm sabedoria todos os que sabem. Deus, verdadeira e suprema Vida, em quem, por quem e mediante quem tem vida tudo o que goza de vida verdadeira e plena. Deus Felicidade, em quem, por quem e mediante quem são felizes todos os seres que gozam de felicidade. Deus Bondade e Beleza, em quem, por quem e mediante quem é bom e belo tudo o que tem bondade e beleza. Deus Luz inteligível, em quem, por quem e mediante quem tem brilho inteligível tudo o que brilha com inteligência. Deus, cujo reino é o mundo inteiro, a quem o sentido não percebe. Deus, de cujo reino procede também a lei para os reinos da terra; Deus…

Ele é Deus ontem, agora, amanhã e sempre. Mas o “sempre” ainda torna-se efêmero anti a dimensão da sua eternidade. Ele é o Todo-Poderoso. Ele é o que mandou seu Filho Jesus, para que, em parte viéssemos conhecê-lo como diz Paulo “porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.“ (1 Co 13: 9-10) – hoje, com todas nossas limitações o conhecemos pela sua revelação salvífica em Cristo, seu amor, sua graça e propósito para toda a humanidade. Este é o nosso Deus, o grande Eu Sou. Deus Único. Deus Absoluto. Deus, simplesmente, Deus.

 

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Ev. Josias Silva

Josias Silva é casado com Juliana Bezko, ministro de louvor da Igreja Evangélica Avivamento da Fé (sede) – músico e compositor. Graduado em Teologia e discente em História pela Universidade Nove de Julho e em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo. Escritor do blog Crer também é pensar.  http://crertambemepensar.wordpress.com

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